quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O Vento


Continuando os relatos de Experiências, vou relatar agora a extensão do projeto "Pequenos Descobridores", que deu continuidade no segundo semestre com um outro fenômeno:

O VENTO

Numa tarde, enquanto ainda desenvolvíamos o projeto da água, as crianças brincavam com os blocos de montar. As rodinhas de uma das peças se soltaram das mãos de Giulia (3), e saíram rolando pela mesa, Giulia gostou do movimento e passou a soltá-las para repetir o efeito, mas a mesa era plana e as rodinhas logo paravam, insatisfeita ela começou a tentar de outras formas para ver se as rodinhas voltavam a rolar sobre a mesa, mas não conseguia, Ryan (3), que observava atentamente a brincadeira da amiga, sugeriu... - Por que você não assopra assim...

Então descobriram uma possibilidade de fazer algo se movimentar... A brincadeira despertou interesse em todos...

Eufóricos com a descoberta, deixei que explorassem os materiais e dei outros objetos para que experimentassem "o rolar" : Tampinhas de pet, tampas, potes de yogurte, lápis e objetos de outras formas, que não eram redondos.

Alguns já descartavam os "não redondo", outros precisavam se certificar que a forma do objeto podia fazer diferença, tentativas até descartar a possibilidade.

Enquanto estavam envolvidos com a descoberta, eu fazia algumas provocações:

-O que é preciso para um objeto rolar ?
-Porque os objetos quadrados não rolam?
-Porque eles logo param?
-O que é preciso fazer para que eles se movimentem?

Num próximo momento, em roda, conversamos sobre as experiências e chegaram às seguintes conclusões:

*Só os objetos redondos rolam...
*Era preciso uma "rampa" (descida) para ele não parar...
*E, se parasse, era só soprar que ele voltava a movimentar...
*Que alguns objetos movem-se rolando, outros deslizando e outros das duas formas.

Diante de tanto entusiasmo e curiosidade, fui buscar algum subsídio para auxiliá-los na descoberta e cheguei novamente ao livro: Conhecimento Físico na Educação Pré- Escolar, de Constance Kamii, que realizou um profundo estudo sobre o tema baseados nas fundamentações teóricas de Piaget. De acordo a autora, a brincadeira envolvia descobertas relacionadas à construção do raciocínio lógico-Matemático, através da ação de movimento de objetos, que também faz parte do conhecimento físico, (relação de causa/efeito), como nas experiências com a água,(sabiam que era preciso uma ação para que houvesse uma reação.)

No dia seguinte, ao trazer de volta as experiências para discussão em grupo, Perguntei à eles porque sopravam e o que saía da boca para fazer as rodinhas se moverem, Matheus Brito respondeu:
-Fumaça!
-Não é ! - Contestou Ryan - É frio!
- Como chama o frio? - Indaguei.
-Vento! - Respondeu Matheus Rodrigues.


Foi então que surgiu a temática do próximo projeto: descobertas e experiências com um fenômeno intrigante, não menos complexo, o VENTO.

Antes de sistematizar o projeto, promovi algumas situações que envolvesse o vento.
O objetivo era que "sentissem" e "vissem" objetos se movimentando com a força do vento.

Aproveitamos o ventoso mês de agosto que favoreceu nossas descobertas.

Descemos pelo barranco; Pelo escorrega; Observamos as árvores; exploramos brinquedos que vôam...

Estimuláva-os a perceberem o vento nas situações do dia a dia e na natureza e estas foram algumas das indagações que surgiram:

- Quem balança a árvore?

- Por que o vento balança as coisas?

- Quem faz as folhinhas das árvores que caem no chão voarem?

- A gente consegue ver o vento?

- O vento Existe?

- Onde o vento Mora?

- Quem faz o vento?

- Porque a gente não consegue pegar o vento com nossa mão?

- Onde o vento nasce?

- Conseguiríamos fazer vento? Como?

- Pra que serve o vento?


Obs.: Algumas destas questões foram elaboradas pelas crianças durante o projeto, outras foram formuladas pela professora para avaliar o pensamento e hipóteses das crianças sobre o assunto.

Passaram a reconhecer o impacto do vento no movimento dos objetos com que brincaram:

Brinquedos que vôam

-Pipa/ capucheta

-Tiras de papel crepom

-Roupas no varal

-Jornal

-Avião de papel

-Cata-vento

-Pegador de vento (com rolinho de papel higiênico pintados colocado tiras coloridas e pendurado nas árvores )

-Papel celofane.

-Árvores

-Ventilador da sala

-Carrilhão de vento

-Sino dos ventos

Confeccionando os carrilhões de vento, para sabermos em qual direção o vento sopra





Cataventos


Pipas de sacolinha e capuchetas



Aviãozinho de papel


Bolhas de sabão gigante

Representaçãos simbólicas

As representações simbólicas por desenho ou faz de conta depois das experiências foram fundamentais no projeto, pois nela as crianças puderam representar é organizar suas idéias e pensamentos.




Práxis

É bom saber...

Há dois tipos de atividade de conhecimento-físico:
A ação da criança sobre os objetos e sua observação da reação do objeto são importante em todas as atividades que envolve o conhecimento físico. Entretanto vemos dois tipos de atividades baseadas na relativa importância da Ação e Observação.

-Atividades que envolve o movimento dos objetos (ou mecânica), onde o papel da ação da criança é primário e o da observação é secundário, Ex. deixar uma bola rolar em uma rampa. O papel da ação é primário aquí porque há uma correspondência direta e imediatamente visível entre onde a criança posiciona a bola e onde a bola rola pela rampa. Se ela varia sua ação movendo a bola quinze centímetros para a direita, a bola rola aproximadamente quinze centímetros para à direita da linha de queda anterior, paralela a essa.
-O segundo tipo, são atividades que envolve mudanças no objeto. O preparo de uma receita é um exemplo desse tipo de atividade, no primeiro exemplo os objetos apenas se movem, eles não se modificam, no preparo de uma receita, o objeto em si muda, desta forma agora o papel da observação se torna primário e o da ação secundário, porque a reação do objeto não é nem direta nem imediata; ou seja, o resultado não é devido a ação da criança, mas às propriedades do objeto.
De importância primária, portanto, é o papel da observação - a estruturação do que é visível.

fonte: O conhecimento físico na educação Pré-Escolar-Implicações da teoria de Piaget. Pgs 21 e 22. - Constance Kamii e Rheta Devries.

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