sábado, 6 de março de 2010

Modalidades Organizativas

Modalidade Organizativas

A organização de atividades de ensino e aprendizagem


Para construir é preciso organizar

O objetivo desse texto é refletir sobre o segundo componente: a organização de atividades de ensino e aprendizagem.

Conteúdos diferentes precisam ser trabalhados com atividades diferentes. Mas, para além de cada atividade e seu conteúdo, é preciso pensar sobre a melhor articulação entre os diferentes conteúdos eleitos para serem ensinados e aprendidos, e os diferentes tipos de atividades presentes no trabalho pedagógico.

A aprendizagem não é um processo linear e ocorre com sucessivas reorganizações do conhecimento. Por isso, se o ensino estiver baseado em fragmentos de conhecimento correspondendo a intervalos de tempo iguais, estará fadado ao fracasso. Esse problema tem se repetido em nossas escolas.

Os professores propõem a mesma atividade a todos os alunos e espera que todos a realizem no mesmo tempo, para dar prosseguimento ao “planejamento”. Mas as crianças não aprendem no mesmo ritmo e, em poucas semanas, várias já não conseguem compreender as propostas de atividade que o professor faz.
Para criar condições a fim de flexibilizar o tempo e a retomada dos conteúdos, a autora Delia Lerner sugere que se ponha em ação diferentes
modalidades organizativas do ensino, que são: os projetos, as atividades habituais, as seqüências de atividades e as atividades independentes. Essas quatro diferentes modalidades organizativas devem coexistir e se articular ao longo do trabalho pedagógico.

:: Os projetos

Os projetos (também chamados de projetos didáticos), que não devem ser confundidos com os Projetos de Escola, são formas organizativas do ensino cuja principal característica é ter início em uma situação-problema e se articular em função de um propósito, um produto final, que pode ser um objeto, uma ação ou os dois (um livro, um mural, um prospecto de campanha, uma peça de teatro, uma peça radiofônica, um seminário). Uma qualidade importante dos projetos é oferecer um contexto no qual o esforço de estudar tenha sentido, e no qual os alunos realizem aprendizagens com alto grau de significação.
Não há um tempo ideal de duração de um projeto, pois, dependendo dos objetivos traçados, ele pode durar dias ou até meses. Os projetos de duração mais longa permitem ao professor compartilhar o planejamento das ações voltadas à construção do produto final com seus alunos, desenvolvendo também suas capacidades para elaborar cronogramas. Nesses casos, “uma vez fixada a data em que o produto final deve estar elaborado, é possível discutir um cronograma retroativo e definir as etapas que será necessário percorrer, as responsabilidades que cada grupo deverá assumir e as datas que deverão ser respeitadas para se alcançar o combinado no prazo previsto ”. É a modalidade organizativa do ensino que mais se afina com os trabalhos interdisciplinares.

:: Atividades habituais – ou permanentes

As atividades habituais são situações propostas com regularidade – uma vez por semana ou por quinzena, por exemplo. Podem ser utilizadas quando um dos objetivos do trabalho é formar hábitos ou construir atitudes. A roda de coversa é um exemplo desse tipo de atividade. A leitura .
Um professor de Matemática de 1ª série do Ensino Médio, que tem quatro encontros semanais com uma classe, desenvolve o estudo de funções em três desses encontros, por meio de atividades seqüenciadas, e uma vez por semana, desenvolve estudos estatísticos relacionados a um projeto interdisciplinar que a turma está realizando, em colaboração com os professores de Geografia e História. Esse encontro passa, então, a ser uma atividade habitual, relativa ao desenvolvimento do projeto.

:: Seqüências de atividades

As seqüências de atividades são situações articuladas que possuem um objetivo educativo comum relativo a um ou mais conteúdos de aprendizagem. É a modalidade organizativa mais utilizada pelos professores em seus planejamentos do ensino. Seu tempo de duração varia de acordo com os conteúdos e com os objetivos.

:: Situações independentes

As situações independentes são aquelas que, geralmente, correspondem a necessidades didáticas surgidas no decorrer do processo de ensino e aprendizagem. Uma aula em que o professor sistematiza um conhecimento que esteve em jogo no desenvolvimento de um projeto recém-terminado. Dois exemplos:

  • professores de um determinado ciclo preparam um debate, a partir de um documentário em vídeo, em função da ocorrência nas imediações da escola de fato que envolve questões de violência, ética e que pedem uma intervenção educativa por parte dos professores;
  • durante uma discussão sobre notícias de jornal (atividade habitual), um aluno trás um artigo de jornal comentando uma descoberta científica. A classe demonstra grande interesse pelo assunto, então, o professor sugere a uma equipe de alunos que prepare um seminário sobre o tema e marca uma atividade independente para a apresentação.

Esse último exemplo nos faz lembrar que o Planejamento do Ensino deve ser construído com flexibilidade, tendo um espaço para que atividades independentes possam ser realizadas. A característica mais marcante do ensino “tradicional” é colocar todos os alunos a “marchar” em passo rápido e uniforme, pois sempre há uma quantidade enorme de conteúdos a serem “dados”. Nada pode fugir ao rígido plano elaborado no início do ano e que deve ser cumprido custe o que custar.
Combinando as diferentes modalidades, o professor tem condições de organizar seu Plano de Ensino de modo a proporcionar aos alunos processos de aprendizagem mais significativos, articulando os diferentes conteúdos com as diferentes modalidades e, dessa forma, evitando a fragmentação do conhecimento e respondendo melhor ao desafio de ensinar.
Observação: Sugere-se que para ter uma visão mais ampla da questão o professor se reporte também às atividades apresentadas para todos os níveis.

Texto original: Vinicius Signoreli
Edição: Equipe EducaRede
Ilustrações: Michele Iacocca/Acerco CENPEC

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